somos atores de uma peça
“Lembre-se de que você é um ator em um drama, do tipo que o autor deseja fazer. Se curto, de um curto; se longo, de um longo. Se for seu prazer que você deva agir como um homem pobre, um aleijado, um governador ou uma pessoa privada, veja se você age naturalmente.” — Epicteto, Enchiridion 17
Nós nos estressamos infinitamente com as circunstâncias de nossas vidas. “Por que sou baixo?” “Por que nasci pobre?” “Por que tenho câncer?”
Epicteto somos atores em uma peça oferece a única resposta sensata a essas perguntas: Não foi sua escolha em relação ao elenco. Mas é sua escolha como você atua.
Essa metáfora transforma a vida de um “Teste de justiça” em uma “Arte performática”.
O Dramaturgo e o Diretor de Elenco
Nesta analogia, Deus (ou Destino/Natureza) é o Dramaturgo.
Ele escreve o roteiro. Ele distribui os papéis.
Para um ele diz: “Você será Agamenon, Rei dos Reis.”
Para outro ele diz: “Você será um mendigo sem nome que morre aos 30 anos.”
Normalmente pensamos que a pessoa que interpreta Agamenon está “ganhando” e o mendigo está “perdendo”.
Epicteto diz: Errado.
No teatro, o público aplaude o ator que interpreta melhor o Rei? Ou eles aplaudem o ator que desempenha seu papel bem?
Um grande ator pode ganhar um Oscar interpretando um mendigo. Um ator terrível pode ser vaiado interpretando um rei.
O valor da sua vida não depende do *prestígio* do seu papel. Depende da *habilidade* do seu desempenho.
Aceitando o Roteiro
A maior parte de nossa miséria vem de querer reescrever o roteiro enquanto estamos no palco.
Nós somos o mendigo, mas continuamos gritando falas destinadas ao Rei.
“Eu deveria ser rico! Eu deveria ser famoso!”
O público (os Deuses) olha para nós e pensa: “Que ator terrível. Ele nem conhece seu personagem.”
Epicteto diz: “Pois este é o seu negócio, agir bem o personagem designado a você; escolhê-lo é de outro.”
Isso é aceitação radical.
Se o roteiro diz: “Seu personagem é demitido hoje”, seu trabalho é interpretar a cena “Sendo Demitido” com dignidade, graça e coragem.
Se você interpretar chorando e implorando, você é apenas um mau ator.
A “Peça Curta”
Algumas peças são longas. Outras são curtas.
Lamentamos quando uma criança morre jovem. “A peça dele foi muito curta!”
Mas Epicteto pergunta: “Uma peça é estritamente melhor porque tem 5 atos de duração?”
Não. Uma cena de 10 minutos pode ser perfeita. Um filme de 3 horas pode ser um lixo chato.
A duração de uma vida é irrelevante para a qualidade dela.
“Como em uma peça, assim é com a vida – não importa quanto tempo a ação se desenrola, mas quão boa é a atuação.” (Sêneca disse isso também, concordando com Epicteto).
A Liberdade da Máscara
Ironicamente, perceber que você está apenas interpretando um papel lhe dá distância.
Quando um ator interpreta Otelo, ele grita e chora no palco. Mas por baixo da máscara, o ator está calmo. Ele sabe que é apenas uma peça.
Epicteto quer que tenhamos essa consciência dupla.
O Você Externo (O Personagem): Está doente, é pobre, não é amado.
O Você Interno (O Ator): É calmo, racional e observador.
Quando seu personagem sofre, você pode sussurrar para si mesmo: “Meu personagem está passando por um arco difícil agora. Vamos ver se consigo interpretar essa tragédia com a nobreza de um Herói.”
Interpretando o Vilão?
E se você for escalado como um vilão? Ou e se os outros forem vilões?
Epicteto menciona frequentemente o “Fio Púrpura” em uma toga — o sinal de status distinto e nobre. Ele quer que sejamos o personagem nobre.
Mas ele também reconhece que vilões existem na peça (Nero, Domiciano). Eles são necessários para o drama. Sem o vilão, o herói não tem resistência contra a qual lutar.
Então, quando você encontrar um “Vilão” na vida real, não o odeie. Veja-o como um ator coadjuvante que está preparando você para seu grande discurso sobre a Virtude.
A Chamada da Cortina
Eventualmente, o Dramaturgo diz: “Saia do Palco à Esquerda.” (Morte).
Epicteto diz que devemos deixar o palco educadamente.
“Eu parto, prestando minha reverência àquele que escreveu o drama e àquele que me conduziu a ele.”
Não seja o ator que tem que ser arrastado para fora do palco pelo gancho, gritando “Eu quero mais falas!”
Curve-se. Agradeça ao Diretor pela oportunidade de ter existido. E caminhe para a escuridão com a cabeça erguida.
Conclusão
Epicteto somos atores em uma peça é uma metáfora que nos salva da inveja.
Você para de invejar a celebridade rica. Você percebe que ele está apenas interpretando um papel diferente, e provavelmente interpretando mal (viciado em drogas, inseguro).
Você olha para o seu próprio papel — talvez um pai em dificuldades ou um paciente doente — e vê o potencial para uma obra-prima.
As luzes estão acesas. A cortina subiu. Como você vai atuar?


Conheça Cícero Praxis, mentor de ética e estudioso das obras de Sêneca, dedica-se a transformar a teoria filosófica em ação prática. Aprenda com quem vive o que ensina. Sua missão é guiar você através do caos contemporâneo usando a virtude estoica unindo a tradição clássica aos desafios do dia a dia.






