A visão de Epicteto sobre o suicídio: A Política de Portas Abertas

A visão de Epicteto sobre o suicídio: A Política de Portas Abertas Cover

A visão o suicídio

“Lembre-se disto: a porta está aberta. Não sejam mais covardes que as crianças, mas como elas dizem, quando a brincadeira não é mais divertida, ‘Não brinco mais’, assim também vocês, quando as coisas lhes parecerem estritamente desse tipo, digam: ‘Não brinco mais’ e vão embora. Mas se permanecerem, não reclamem.”Epicteto, Discursos 1.24

Aviso sobre o tema: Este artigo discute o suicídio de uma perspectiva filosófica. Se você estiver em crise, procure ajuda.

A visão de Epicteto sobre o suicídio é chocante para a sensibilidade moderna. No mundo de hoje, vemos o suicídio quase exclusivamente como uma tragédia ou uma crise de saúde mental. Mas para os estoicos, e especificamente para Epicteto, era uma opção estratégica fundamental.

Eles chamavam isso de “Porta Aberta” (*Exagoge*). E ironicamente, essa doutrina não era sobre a morte; era sobre a Liberdade.

A Garantia da Liberdade

Epicteto argumentou que você não pode ser verdadeiramente livre se for forçado a permanecer vivo.

Se um Tirano pode forçá-lo a viver em tortura, você é um escravo. Mas se você tem o poder de deixar a vida a qualquer momento, o Tirano não tem poder sobre você.

“Quem pode escravizar um homem que está pronto para morrer?”

Saber que a porta está destrancada muda a maneira como você se comporta na sala. Você não precisa tolerar abusos. Você não precisa comprometer sua integridade. Você fica porque escolhe ficar, não porque está preso.

Esse conhecimento elimina o medo. A pior coisa que o mundo pode fazer com você é matá-lo. SE você estiver disposto a fazer isso sozinho, o mundo não tem nenhuma arma contra você.

Quando é Permitido Sair?

Epicteto não era um niilista. Ele não encorajou as pessoas a se matarem porque estavam tristes ou porque perderam dinheiro.

Ele estabelece um padrão muito alto para a “Porta Aberta”.

Condição 1: O Sinal Divino

Você só pode sair quando “Deus soar a retirada”.

Ele compara a vida a um posto militar. Você não pode abandonar seu posto apenas porque está chovendo. Você deve esperar que o General (Deus/Natureza) o dispense.

Condição 2: Perda da Dignidade Humana

Se as circunstâncias tornam impossível viver virtuosamente (por exemplo, demência grave, ser forçado a cometer crimes terríveis), então a “sala apresenta muita fumaça”.

“Se houver fumaça moderada no quarto, ficarei; se houver muita fumaça, sairei. Lembre-se disto e mantenha-o firme: a porta está aberta.”

O Caso de Sócrates vs. Catão

Os estoicos admiravam heróis.

  • Sócrates: Ele não “cometeu suicídio” em uma depressão. Ele foi executado pelo estado, mas bebeu a cicuta de bom grado, alegre e conversando até o fim. Ele aceitou o “Sinal de Retirada”.
  • Catão, o Jovem: Ele arrancou suas próprias entranhas em vez de se submeter à ditadura de César. Para um estoico, esta foi a vitória final. Ele preservou sua liberdade quando a liberdade em Roma estava morta.

“Não Sejam Como Crianças”

Epicteto repreende seus alunos por reclamarem da vida.

“Se você ficar, não reclame. Se você reclamar, vá embora.”

É extremamente rude ir a uma festa, comer a comida, beber o vinho e depois gritar sobre como a festa é ruim.

Ou aproveite a festa (gratidão) ou peça licença educadamente (suicídio). Mas não seja um convidado miserável.

Ele zomba daqueles que choramingam: “Minha cabeça dói! Meu ouvido dói!”

Epicteto responde: “Quem te obriga a ficar? A porta está logo ali.”

Essa dureza tem a intenção de chocar o aluno para a Gratidão. “Ah, eu não quero morrer? Então acho que eu realmente *gosto* de estar vivo. Eu deveria parar de reclamar.”

O Paradoxo: Isso Faz Você Amar Mais a Vida

Esse é o segredo da “Porta Aberta”.

Quando você percebe que é livre para sair, de repente valoriza seu tempo aqui. Você não é um prisioneiro cumprindo pena. Você é um voluntário.

Toda manhã que você acorda, você está essencialmente dizendo: “Eu escolho viver mais um dia.” Isso transforma a vida de uma obrigação em uma escolha.

Use esse conhecimento não para sair da vida, mas para vivê-la sem medo.

Seu chefe pode demiti-lo. Seu cônjuge pode deixá-lo. A economia pode quebrar.

Mas ninguém pode forçá-lo a viver uma vida que você não quer.

Conclusão

A visão de Epicteto sobre o suicídio é o “Ás na Manga” definitivo.

Você espera nunca ter que usá-lo. Mas saber que está no seu bolso lhe dá confiança para apostar tudo na Virtude.

Você pode dizer a verdade, enfrentar o poder e arriscar tudo, porque sabe o código de saída.

Como Epicteto disse ao homem que ameaçava acorrentá-lo:

“Homem, do que você está falando? Você pode acorrentar minha perna, mas nem mesmo Zeus pode conquistar minha vontade.”

Por quê? Porque a Vontade sempre tem a chave da porta.

A visão de Epicteto sobre o suicídio: A Política de Portas Abertas illustration

Deixe um comentário